Matrizes estéreis

Postado em Uncategorized com as tags , , em Novembro 18, 2009 por flavyamutran

Primeiras provas de Fotogravuras em placas de circuito eletrônico com imagens de matrizes Bioshot. Estéreis porque não estão sendo produzidas para gerar cópias, e sim para me ajudar a pensar conceitos operacionais – ainda em processamento -, através de articulação prática. O tempo para transferência da imagem em fotogravura me remete aos procedimentos inicias dos daguerreótipos e suas matrizes únicas. O que estas placas de rostos sem olhos possuem do conceito de rostidade: MURO BRANCO – BURACO NEGRO, de Deleuze e Guattari? Diriam…

‘ é somente no buraco negro da consciência e da paixão subjetivas que se descobrirão as partículas capturadas, sufocadas, transformadas, que é preciso relançar para um amor vivo, não subjetivo, no qual cada um se conecte com os espaços desconhecidos do outro sem entrar nem conquistá-los, no qual as linhas se compõem como linhas partidas. É somente no interior do rosto, do fundo de seu buraco negro e em seu muro branco que os traços de rostidade poderão ser liberados, como os pássaros; não voltar a uma cabeça primitiva, mas inventar as combinações nas quais esses traços se conectam com traços de picturalidade, de musicalidade, eles mesmos liberados de seus respectivos códigos.’ (Giles Deleuze & Felix Guatarri; Mil Platôs, vol.03 Rio de Janeiro, Ed.34, 1996 – pp.59-60)

Outubro/2009 – POA/RS – © Flavya Mutran

Sobreposição de apagamentos

Postado em Uncategorized em Outubro 30, 2009 por flavyamutran

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Fotografias da série Bioshots, da pesquisa Pretérito Imperfeito de Territórios Móveis, de Flavya Mutran. Porto Alegre/RS – 2009

Eu e minhas cópias

Postado em Uncategorized em Outubro 28, 2009 por flavyamutran

Bioshots são fotografias digitais feitas da acumulação de várias imagens expostas em longas tomadas de exibição e captação, espécies de assemblages digitais que utilizam como matrizes diversos modelos de retratos fotográficos de épocas diferentes, para evidenciar as mudanças nos padrões de beleza e comportamento impostos a mulheres e homens pela sociedade industrial e pela cultura de massa ao longo do tempo.

A partir de retratos anônimos, inspirados nos PhotoBook de HighSchool[i] norte-americano, suas poses típicas de fotos para documentos, e álbuns comemorativos, constroem-se novas imagens com registros fotográficos do monitor do computador. Imagens que misturam penteados, roupas, e posturas datadas. Passado, presente e o devir (porque não?). Estes modelos-matrizes estão disponíveis aos montes em programas free commos na internet, e justamente por isso são imagens de baixíssima qualidade e nitidez para impressões de alta qualidade. São comumente usados apenas na web ou em dispositivos móveis como celulares, tendo como objetivo principal a interação e entretenimento de internautas em jogos, ou passatempos lúdicos para veiculação em álbuns do facebook, no visualizador do twitter – entre outros -, além do uso nas telas de proteção de micros e smartphones.

As imagens artificiais são quase como paródias, embora tratem de temas importantes. O programa em si é uma ferramenta que documenta a passagem do tempo no que comumente identifica um individuo, mas que não se fixa nos seus traços genéticos, e sim no seu estilo que se traduz na moda de roupas e acessórios, penteados e posturas. Cada elemento desta composição na imagem do homem contemporâneo é cuidadosamente tecido pela sociedade de consumo em formatos que, ao padronizar modelos em série, dá-lhes em troca a ilusão de fazê-los sentirem-se parte de algo maior, de um coletivo que ignora o biotipo de cada um, mas que o localiza e situa historicamente.

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Ao juntar modelos (ou matrizes) mais comuns, principalmente de fotos cujo estilo se popularizou nos últimos 20 ou 30 anos do Séc.XX, questiona-se o quanto o retrato de alguém é uma construção ficcional, ainda que histórica, norteada por padrões e códigos normativos de grupos sociais, que na maioria das vezes não levam em consideração o biotipo individual do retratado. Pode-se mudar a aparência, mas em suma, não o DNA que origina os traços fisionômicos das pessoas. A herança genética fruto da combinação ‘XX’ + ‘XY’ é imutável, e mesmo que possa ser alterada cirurgicamente ou com uso de tratamentos cosméticos, só altera a aparência externa, sem substituir a essência orgânica familiar. O apagamento parcial dos traços fisionômicos que identificam os personagens originais e a posterior inserção dos meus próprios traços faciais cria um ser híbrido, fantasmagórico, sem nome, sem rosto, sem história. Cabe ao observador definir o perfil e criar a história que quiser para essas cabeças sem rostos. Pode ser uma lembrança, ou um sinal do processo de esquecimento que apaga os traços de um ente querido, alguém distante perdido na invisibilidade da memória. Pode ser o espelhamento do seu próprio eu.

Apagar e inserir meus traços fisionômicos nesses modelos, misturá-los e refotografá-los em longos tempos de exposição, mais do que autorretratos produzidos num exercício de simulação, ficção e ao mesmo tempo de alteridade, produz uma série de obras construídas não apenas com imagem do meu próprio corpo, e sim com os testemunhos visuais de pessoas de várias origens, etnias e idades com as quais me identifico ou não me reconheço. De certa forma esta pesquisa não deixa de mostrar eu mesma, e minhas cópias.

[i] O programa online usado para a construção das matrizes da pesquisa é disponibilizado no site www.yearbookyourself.com

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Postado em Uncategorized em Setembro 25, 2009 por flavyamutran

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‘XY’, ‘XX=XY’ e ‘XX’ da Série ‘BIOSHOT’, da pesquisa Pretérito Imperfeito de Territórios Móveis. © Flavya Mutran – Porto Alegre/RS – 2009

‘Diálogos França e Pará: Cinema e Literatura’ no IAP

Postado em Uncategorized em Julho 29, 2009 por flavyamutran

A partir do próximo dia 5 de agosto, o IAP – Instituto de Artes do Pará e o Solidarité Provence /Amérique du Sud promovem o evento “Diálogos França e Pará: Cinema e Literatura” que integra as comemorações pelo Ano da França no Brasil, com mostra de videoarte, palestras e mesa-redonda sobre as relações entre a produção audiovisual e literária contemporânea no Pará e na França. Trata-se de um desdobramento do 10º Encontro de Cinema Sul-Americano, realizado em 2008 pela Solidarité Provence/ Amérique du Sud, e do qual participaram cinco curtas paraenses.

Meu vídeo ‘Pretérito Imperfeito’, foi exibido na Mostra coletiva da noite da abertura. Ver programação aqui http://www.iap.pa.gov.br/blog/?p=228 e pode ser assitido no link abaixo: 

http://www.youtube.com/watch?v=hRTelgtfkyoCapaGIF.72

Territórios Ficcionais

Postado em Uncategorized em Julho 2, 2009 por flavyamutran

 ‘Pretérito imperfeito de territórios móveis’ é uma pesquisa sobre imagens de coleções fotográficas virtuais que investiga não só os meios de produção e impressão de imagens eletrônicas em seus diferentes aspectos, como também questiona as representações simbólicas que tais imagens suscitam no campo das artes. Tenho feito o caminho inverso, indo do pixel ao grão, e abandonando o referencial original (a natureza) para me fixar na representação feita pelo olhar de outros protagonistas.

DSC_0100pqA A partir da seleção desses registros disponíveis em coleções públicas de sites de relacionamento na web, eu passo a refotografar estas imagens do meu ponto de vista, interferindo no meio de exibição (monitor e projeções intercaladas), nos ângulos e distorções de toda espécie. Um certo tipo de apropriação, mas que desloca o referente imediato de forma drástica. Ao me apropriar de fotografias já produzidas por terceiros, refotografando-as sob meu ponto de vista, crio novas referências visuais deslocadas do contexto original, adaptando-as à criação de outras narrativas, jogando com a objetividade e ficção denotativa e conotativa que as imagens fotográficas têm. Verificar até que ponto a transmutação de imagens numéricas – que não mais representam o real, e sim simulam o real – me serve como discurso ficcional, um tempo pretérito e imperfeito porque incerto e impalpável de um território móvel que existe somente na virtualidade luminosa dos pixels.

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Visto assim, tenho criado álbuns de pessoas e cidades inexistentes enquanto definição física e geográfica formal, porque além de conceituais não são reais, são quase invisíveis. São lugares que só existem enquanto figurações de simulações numéricas, eletrônicas. Rostos de pessoas que nunca existiram a não ser na sobreposição de luz que se desenha nos meus filmes. São fragmentos de álbuns com rostos de personagens anônimos, sem corpo físico imediato a não ser o que emana da luz RGB dos monitores LCD[1].

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[1] RGB é a abreviatura do sistema de cores aditivas formado por Red (Vermelho), Green (Verde) e Blue (Azul) de projeções de luz em monitores de computadores e datashows e LCD, Liquid Crystal Display, também uma tela eletrônica composta de transistores de filme finos (TFTs), utilizados para exibir a cor das imagens em diferentes tipos de aparelhos eletrônicos móveis ou não.

Experimentações

Postado em Uncategorized em Julho 2, 2009 por flavyamutran

 

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Investigação sobre suportes e gêneros fotográficos, da serie ‘Territórios Móveis’, Porto Alegre/RS – 2009 © Flavya Mutran

Matriz em teste

Postado em Uncategorized em Junho 2, 2009 por flavyamutran
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Criando Matrizes Operadoras. Simuladoras-matter.Figura1

Multiexposição fotográfica. Da série ‘Territórios Móveis em curso’.

Porto Alegre/RS – 2009
© Flavya Mutran

Ensaios sobre o mesmo tema

Postado em Uncategorized em Maio 4, 2009 por flavyamutran

Hoje me fiz de Antonino Paraggi revisitando meus guardados. Como ele, revi imagens de cidades cheias de rostos sem nome, suspensas num tempo perdido de estradas inacabadas sem começo nem fim. Rever não é reencontrar.

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blackbird1jpgImagens da série “Ensaios sobre o mesmo tema’, Porto Alegre 2009

Fotos: Flavya Mutran

Territórios Móveis

Postado em Uncategorized em Abril 9, 2009 por flavyamutran

Abaixo, fotografia da série ‘Território Móveis em curso’. Porto Alegre/RS 2009

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Abaixo, Fotografia da série ‘Olhar Duplicado’, Belém/PA 2008

©Flavya Mutrandsc03128