Relato sobre Criação de Pretérito, em Belém/PA

Uma pesquisa sobre a visualidade dos álbuns de Redes Sociais e a noção de território que se estabelece a partir de autorrepresentações fotográficas que circulam na web. Essa foi a temática da dissertação de mestrado “PRETÉRITO IMPERFEITO DE TERRITÓRIOS MÓVEIS” (Fragmentos de autorretratos em redes), defendida pela fotógrafa Flavya Mutran, na linha de pesquisa “Novas Tecnologias e Processos Tradicionais de Fotografia e Imagem”, desenvolvida entre 2009 e 2010 no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Na pesquisa para o mestrado ela buscou ao mesmo tempo construir um trabalho artístico e uma reflexão teórica sobre sua produção. As fotografias produzidas para a pesquisa estão na exposição homônima, com curadoria de Vânia Leal, em cartaz até o dia 09/12, no Banco da Amazônia. Atuante na área há mais de 20 anos, a autora promove dia 17/11, às 16h, um bate-papo para falar sobre a experiência acadêmica e a pesquisa fotográfica. A curadora da mostra também participa do encontro, que acontece às 16h, no Espaço Cultural Banco da Amazônia, com entrada franca.

O mestrado foi uma continuação dos estudos iniciados na graduação em Arquitetura e Urbanismo, na Universidade Federal do Pará, na qual Flavya apresentou a monografia “Cidade Especular” (1996) que foi ampliada na especialização em Semiótica e Artes Visuais, com o trabalho “Pretérito Imperfeito de uma Cidade Especular” (2005), também defendida pela UFPA. Na primeira, o interesse estava em pesquisar a imagem da cidade de Belém através das fotos publicadas nos álbuns governamentais e, quase 10 anos depois, a autora quis investigar a imagem de Belém através de fotos de álbuns de família. “Em ambas, percebi que a imagem da cidade é uma construção, que graças à fotografia pode sofrer infinitas configurações, reais ou ficcionais, mas sempre arbitradas pelo operador da câmera, seja ele profissional ou não”, comenta a autora.

Analisando os álbuns, na procura pela “fisionomia” de Belém – de suas praças, fachadas históricas, ruas e orla –, Flavya Mutran encontrou coleções de fotos de interiores, rostos e animais de estimação. Raros foram os registros que tinham a cidade como foco principal, e o pouco que ela conseguiu localizar da cidade estavam ou em cartões postais ou em instantâneos de passeios turísticos nos quais a cidade aparecia apenas como pano de fundo para os protagonistas envolvidos nas cenas. “Logo percebi que a imagem da cidade recortada pelo olhar amador, é o retrato que cada pessoa, fotografando ou não, faz de si mesmo e daqueles que lhes são caros. Como se imagens de pessoas e de seus objetos substituíssem o reflexo da cidade real, de pedra e cal. Porque o conceito de cidade muitas vezes se confunde com o conceito que temos de lugar“, diz.

Dominik Giusti – Assessoria de Comunicação da Mostra PRETÉRITO IMPERFEITO DE TERRITÓRIOS MÓVEIS, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia, em Belém/PA

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