The Rape of Europa: mito inspira e mobiliza a produção de artistas de cinco países.

O projeto THE RAPE OF EUROPA (o Rapto de Europa) nasceu da parceria entre cinco instituições de ensino de artes de cinco países, com o objetivo de ressignificar o mito de criação do continente europeu na atual conjuntura internacional. Sob a organização geral da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa – FBAUL (Lisboa/Portugal), o projeto também conta com a participação de artistas da Faculty of Visual Arts and Design at the HKU (Uthrecht/Holanda), Facultat de Belles Arts de la Universitat (Barcelona/Espanha), Akademia Sztuk Pieknych (Lodzi/Polônia), e do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre/RS), no Brasil.

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Acima, cartaz de divulgação do projeto em Portugal e abaixo, o cartaz impresso na Polônia

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Em cada instituição um artista-curador convidou outro professor e estudantes para o desafio de realizar obras de gravura e/ou instalações gráficas em torno do mito. Exibidas simultaneamente nas cinco cidades participantes, as obras foram publicadas em livro e, ao término das exposições, passam a integrar o Acervo Artístico Institucional.

Do Instituto de Artes da UFRGS, participam das exposições os professores Maristela Salvatori (curadora) e Maria Lucia Cattani e os alunos e egressos Jander Rama, Karin Meneghetti, Flavya Mutran, Nara Amelia, Denis Nicola, Rafael Pagatini, Alice Porto e Ana Cândida Sommer.

MaristelaWEB (2)Acima, gravura de Maristela Salvatori e abaixo de Nara Amelia.

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Para visualizar a versão digital do catálogo do projeto acesso http://issuu.com/fbaul/docs/rapto_da_europa/19?e=7186499/5553079

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As exposições simultâneas foram abertas em 08 de novembro de 2013, respectivamente na Galeria da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Portugal, na Academie Galerie, Faculteit Beeldende Kunst en Vormgeving, Utrecht, Holanda, na Galeria Kobro, Akademia Sztuk Pięknych, Lodzi, Polônia, na Sala de Exposiciones de la Facultad de Bellas Arts de la Universitat de Barcelona, Espanha e na Sala João Fahrion, Reitoria da UFRGS em Porto Alegre.

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Acima, Obra de Maria Lucia Cattani e abaixo de Rafael Pagatini. Ambos trabalham com processos de gravura com recorte a laser.

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Um seminário homônimo aconteceu na UFRGS pouco antes do vernissage com a participação dos professores Paulina Nólibos (Ulbra), Claudio Moreno e Francisco Marshall (UFRGS) que falaram sobre o mito de Europa e suas representações com enfoque nos aspectos Arqueológicos, e sob a ótica das Artes Visuais, da Dramaturgia, da Filosofia, da História, da Iconologia, da Literatura e demais ciências afins.

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A  partir da esquerda, Paulina Nólibos, Francisco Marshall, Maristela Salvatori e Claudio Moreno, após o seminário na Sala João Fahrion. (UFRGS, Porto Alegre/RS). Fotos de Ângela Venturella.

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Acima, O rapto de Blake – Díptico – Fotografia jato de tinta com pigmento mineral impresso em papel metalizado (à esquerda) e Gravura em água forte em ‘Chine-collé’ (1/10) sobre papel canson com impressão a jato de tinta (à direita). © Flavya Mutran

Abaixo, Flavya Mutran em foto de Angela Venturella.

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SOBRE A OBRA de Flavya Mutran – O rapto de Blake

Segundo o mito grego sobre o rapto de Europa, às vésperas de Zeus sequestrá-la ela teria sonhado com duas mulheres que brigavam pelo direito de assumir sua maternidade. À procura de uma imagem síntese para ilustrar esse trecho do mito, encontrei uma gravura do artista inglês William Blake (1757–1827) como alegoria para a formação dos três continentes, com mulheres de três etnias diferentes. O sonho de Europa e a gravura de Blake parecem antecipar aspectos controversos sobre o antigo projeto de unificação europeia, me fazendo questionar sobre o quanto a ideia de um território comum ainda pode comportar de mestiçagem cultural e racial, ou de tolerância para diferenças políticas e religiosas.

O inconformismo às regras, um forte ideal libertário e uma indisfarçável predileção pelos temas gnósticos fez de Blake um artista atemporal. Sua gravura ‘A Europa sustentada pela África e pela América’ (1796) e trechos do poema ‘O casamento do Céu e do Inferno’ (1793) evocam, de maneiras diferentes, as contradições entre a matéria e o mundo interior, entre o sonho e os diferentes estados de percepção, sintetizando o conflito entre as duas entidades mitológicas sonhadas por Europa.

Foi a partir dessas referências que encontrei pontos de contato entre o mito, a obra de Blake e minha pesquisa sobre apropriação e transposição de imagens, tendo a fotografia como mediadora nos processos de impressão que misturam os meios digitais e técnicas manuais.

A partir de cópias em Xerox P&B da gravura citada de Blake e de fotografia de uma de escultura grega, foi feita a transferência para a placa de circuito eletrônico através do processo de gravura em metal por água forte. A placa extraída da gravura de Blake[i] foi digitalizada e impressa à jato de tinta com pigmento mineral em papel metalizado, já a placa com a cabeça dos woamn[ii] foi impressa em processo convencional de gravura, sobre papel de fibra natural manufaturado à mão e depois aplicado em ‘Chine-collé’ sobre papel canson 180g. O selo na forma de moeda e o fragmento do poema de Blake foram impressos a laser. ‘O rapto de Blake’ é, portanto, uma obra mestiça, impura quanto suas referências conceituais e datação histórica, fiel apenas às múltiplas experimentações no campo da arte.


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