Arquivo de experimentação

PRETÉRITO IMPERFEITO

Posted in Uncategorized with tags , , on março 26, 2011 by flavyamutran

PRETÉRITO IMPERFEITO DE TERRITÓRIOS MÓVEIS é uma pesquisa experimental sobre a visualidade dos álbuns de Redes Sociais e sobre as possibilidades de transposições de imagens do meio virtual para o físico. As experimentações se dividiram em duas linhas cujo enfoque se deu no uso interativo da fotografia com dispositivos online que abordam o rosto como território e territórios como rostos/caras de pessoas, de lugares. É no rosto, e até na ausência dele, que se situam as séries EGOSHOT, BIOSHOT e THERE’S NO PLACE LIKE 127.0.0.1, respectivamente.
São os disparos (SHOTS) de câmeras fotográficas em diferentes tipos de superfícies fotográficas (PLACES), que determinaram a titulação das séries, e ter adotado palavras em inglês não se deu à toa, pois são elas que mais abrem as portas dos ambientes digitais, e daí considerá-las não só como palavras-chaves , como também espécies de imagens-territórios.
A chamada WEB 2.0 permite que qualquer usuário estabeleça sua própria maneira de se relacionar com textos, sons e imagens, criando ele mesmo seus deslocamentos, apropriações, paródias e outros tipos de procedimentos restritos antes ao campo das artes.
Fotografando as projeções de ambientes virtuais em paredes, escadas, portas, reflexos em vidros e espelhos dos territórios íntimos, se estabeleceu uma conexão com algo que vai além da mera apropriação, por se tratar de fato de algo muito próximo do exercício da alteridade. Apropriando-se das imagens de terceiros (no duplo sentido: imagem do corpo e do espírito do outro através do seu olhar) e misturando-as com meus objetos, cenários e até os maneirismos artísticos pessoais, de certa forma mistura-se algo de si a elas e vice-versa, como um diálogo sem palavras, um jogo de espelhos. Ter se colocado no lugar desse outro ‘eu’ se experimentou um pouco do jogo de Alice de Lewis Carroll, onde brinca-se que o ‘eu é um outro’ (‘I ist an other’ ou ‘je est un autre!’) assumindo a forma invertida de conjugar a própria imagem que se reflete no corpo, no rosto e no olhar do outro, nesse sujeito anônimo e desconhecido que se expõe na web sem reservas como se fosse íntimo.
Trata-se, de fato, de um trabalho de apropriação de algo que geográfica e fisicamente estava inacessível para mim, mas ao representar mundos e pessoas da forma como proponho em Pretérito Imperfeito convido novos observadores a visitarem imagens-territórios como se eles de fato existissem através da forma como eu os enxerguei. Não há nada de extraordinário nas imagens, nenhuma inovação tecnológica, proposta ideológica revolucionária, e trata-se antes de uma tentativa de dar a ver como as nossas ferramentas, idéias, comportamentos e artefatos são manipuláveis e investidos de significados múltiplos. Talvez uma constatação para a frase ‘o verdadeiro ato da descoberta não consiste em descobrir novos territórios, mas, sim, vê-los com novos olhos’ de Marcel Proust.
Se a fotografia ajudou a construir as muitas versões do que seja o mundo para nós, é mais do que natural que esse imenso banco de imagens que hoje se encontra online se pareça tanto com um vasto e novo território para constantes descobertas, assim como outros lugares o foram no século XIX por ocasião do surgimento da fotografia. São estas palavras-imagens, e esse passado quase imediato de contorno imperfeito e de pretérito inconcluso que mais me intrigam hoje.

PARA SABER MAIS E ACOMPANHAR AS NOTÍCIAS DO PROJETO ACESSE: http://territoriosmoveis.wordpress.com

A brush with light

Posted in Uncategorized with tags , on fevereiro 2, 2011 by flavyamutran


Acima, capa do catálogo da Mostra ‘A brush with light’, em Newport/England, com foto de Miguel Chikaoka (PA).

A convite da Universidade de Newport – País de Gales, a Associação Fotoativa, do Pará, foi parceira do simpósio “A BRUSH WITH LIGHT”, que aconteceu em abril, no Centro Cultural Riverfront em Newport, País de Gales, em abril de 2010.

Acima, pagina do catálogo da Mostra ‘A brush with light’, em Newport/England. Abril/2010, em que algumas imagens da série Bioshot, entre outras, foram expostas.
Paralelo ao Simpósio aconteceu a exposição coletiva “Light & Lightness”, com curadoria da cineasta brasileira Patricia Costa e do professor da Escola de Arte, Mídia e Design da Universidade de Newport, Humphry Trevelyan. A mostra foi dividida em duas linhas temáticas: “Light”, com exibição de uma seleção de trabalhos de nove fotógrafos paraenses, e “Lightness”, apresentando trabalhos de jovens fotógrafos paraenses e gauleses e quatro vídeo-instalações sobre o processo de trabalho de alguns fotógrafos paraenses.

Participaram da Mostra Alberto Bitar, Alexandre Sequeira, Elza Lima, Flavya Mutran, Guy Veloso, Ionaldo Rodrigues, Irene Almeida, José Jr., Joyce Nabiça, Lu Magno, Mariano Filho, Miguel Chikaoka, Naylana Thiely, Patrick Pardini, Paula Sampaio, Rafael Araújo e Walda Marques, além dos ingleses Brenda berry, Celia Jackson, Corinne GartmannNeil Smithson e Siobhan Canavan

Culture Robot 4.0

Posted in Uncategorized with tags , , on novembro 5, 2010 by flavyamutran

Desde o último dia 31 de outubro começou em Porto Alegre o Festival Arte.Mov, arte em mídias móveis/2010, evento que acontece em várias capitais brasileiras com diferentes formatos. Entre as várias atividades destaco o Workshop Culture Robot com o paulista Ricardo Palmieri, que montou aqui a 4a versão de um projeto que ele e o croata Kruno Jost vêm realizando pelo mundo afora. A idéia é montar mapas alternativos que se sobreponham aos mapas georreferenciados do Google e afins, criando pontos de interesses na cidade, como espécies de ruídos, bolhas de afeto, guetos de cultura. A coisa toda vira uma grande instalação montada numa sala escura com um mapa projetado no chão. Os arquivos de imagens (produzidos por nós com câmeras de todos os tipos, inclusive de celulares, pinholes e etc.) são acionados por robôs ligados a sensores que disparam o material quando passam por cima dos pontos marcados no mapa, durante suas trajetórias aleatórias. Os robôs têm um pouco de flâneur, representam também muito do que fazemos nas nossas rotas diárias pré-programadas como se fossem roteiros de máquinas, além do sempre intrigante jeito como lidamos com todos os estímulos da cidade de forma seletiva.

O mais legal é que a proposta pode ser feita em diferentes plataformas, aparelhos e principalmente usando softwares livres de edição de imagens, como o Quase Cinema, Resolume entre outros.

Acima, foto do grupo do Workshop com Ricardo Palmieri (de camiseta preta, de pé na foto à esquerda) para edição dos vídeos da instalação de Culture Robot, no Festival ARTE.MOV em Porto Alegre. 02 de novembro de 2010. Fotos© Flavya Mutran

Aqui um vídeo da instalação funcionando em POA:

Para saber mais sobre o projeto do Palmieri e Kruno:

http://gentlejunk.net/projects/tiki-index.php?page=CultureRobot

Second ‘view’ life

Posted in Uncategorized with tags on outubro 10, 2010 by flavyamutran

Segunda vez, segundo ano que vejo de longe, em rede Nacional, como Belém fica durante a procissão do Círio. O hashtag #cirio2010 que ficou no top do Twitter/BR entre as ultimas horas do dia 09 e 10 de out/2010 talvez tenham intrigado quem não é paraense e não está em Belém esta época. Trata-se de um fenômeno com muitas explicações, estudos e histórias, mas poucos acertos quando o foco é tentar explicar uma manifestação que não se resume às amarras institucionais, religiosas e burocráticas. É algo imensurável em palavras e imagens, e justamente por se tratar de emoção, deveria ser cada vez vez mais economizada em exposições desnecessárias. A cada ano me convenço mais que primeiras impressões ou lembranças afetivas são BENS intransferíveis e não deveriam ser banalizados em larga escala.

#cirio2010 – para lembrar e esquecer.

Salão Diário

Posted in Uncategorized with tags , , on março 14, 2010 by flavyamutran

Três fotografias da série ‘There’s no place like 127.0.0.1’ foram selecionadas para o I Prêmio Diário de Fotografia Contemporânea, em Belém/PA.  O salão é um projeto nacional promovido pelo jornal “Diário do Pará – Rede Brasil Amazônia de Comunicação” e que abrange a fotografia em toda sua diversidade. Tendo como tema de estréia “Brasil Brasis”, o objetivo do projeto é oferecer ao artista uma ampla abordagem sobre este universo temático, já que tanto a arte como a identidade na história contemporânea se constroem como campos culturais híbridos. Abaixo, o conjunto das imagens. ©Flavya Mutran

As imagens que foram selecionadas para a Mostra fazem parte da pesquisa de Mestrado iniciada em 2009 e desenvolvida no IA/UFRGS, em Porto Alegre/RS. Partindo-se do conceito de Rostidade[1] (Visagéité) de Gilles Deleuze e Félix Guattari – tendo o rosto como paisagem-mapa que inaugura uma nova fronteira para territórios de subjetivações e significações -, constrói-se uma série de fotografias com fragmentos de autorretratos apropriados de fotoblogs, que são manipulados digitalmente e em seguida projetados em superfícies de espelhos, transparências e impressos. A presença ou ausência do ‘muro-branco, buraco-negro do rosto’ sugerido pelos autores franceses inspira a série ‘There’s no place like 127.0.0.1’[2], pois mais do que inventar uma maneira de materializar as imagens nômades que circulam pela web, simula visitas a lugares virtuais, traçando paralelos entre os conceitos de identidade e a noção de território que se estabelece entre o meio físico e digital. Mais informações aqui: http://www.diariodopara.com.br/noticiafullv2.php?idnot=81901


[1] Em suas articulações teóricas, Deleuze e Guattari formularam a complexa idéia de uma máquina abstrata de rostidade que seria responsável pelo processo de produção social, política e ideológica que constitui um rosto. Funcionando como uma espécie de biopoder introjetado em diferentes camadas sociais, esse mecanismo mental teria iniciado seu trabalho ao longo da história e nos dias de hoje seria responsável pela tessitura das redes de conexões na sociedade. DELEUZE, Gilles &. GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, Vol.4. Rio de Janeiro: Ed.34, 1996.

[2] Os números ‘127.0.0.1’ representam o número IP (Internet Protocol), ou o endereço padrão de um computador. É o que define o localhost de qualquer máquina conectada a uma rede. Em outras palavras, a frase ‘There’s no place like 127.0.0.1’, muito popular entre os geeks, significa o mesmo que dizer ‘não existe lugar como meu computador’, meu localhost. Não existe lugar como o meu lar!

Abaixo, foto do vernissage do Prêmio Diário de Fotografia Contemporânea, com detalhe da montagem da série ‘There’s no place like…’ ©Flavya Mutran, cedida por Vânia Leal.

Para ver o catálogo da exposição, clique no link abaixo:

http://issuu.com/flavyamutran/docs/catalogopremio2010

Eu e minhas cópias

Posted in Uncategorized with tags , , on outubro 28, 2009 by flavyamutran

Bioshots são fotografias digitais feitas da acumulação de várias imagens expostas em longas tomadas de exibição e captação, espécies de assemblages digitais que utilizam como matrizes diversos modelos de retratos fotográficos de épocas diferentes, para evidenciar as mudanças nos padrões de beleza e comportamento impostos a mulheres e homens pela sociedade industrial e pela cultura de massa ao longo do tempo.

A partir de retratos anônimos, inspirados nos PhotoBook de HighSchool[i] norte-americano, suas poses típicas de fotos para documentos, e álbuns comemorativos, constroem-se novas imagens com registros fotográficos do monitor do computador. Imagens que misturam penteados, roupas, e posturas datadas. Passado, presente e o devir (porque não?). Estes modelos-matrizes estão disponíveis aos montes em programas free commos na internet, e justamente por isso são imagens de baixíssima qualidade e nitidez para impressões de alta qualidade. São comumente usados apenas na web ou em dispositivos móveis como celulares, tendo como objetivo principal a interação e entretenimento de internautas em jogos, ou passatempos lúdicos para veiculação em álbuns do facebook, no visualizador do twitter – entre outros -, além do uso nas telas de proteção de micros e smartphones.

As imagens artificiais são quase como paródias, embora tratem de temas importantes. O programa em si é uma ferramenta que documenta a passagem do tempo no que comumente identifica um individuo, mas que não se fixa nos seus traços genéticos, e sim no seu estilo que se traduz na moda de roupas e acessórios, penteados e posturas. Cada elemento desta composição na imagem do homem contemporâneo é cuidadosamente tecido pela sociedade de consumo em formatos que, ao padronizar modelos em série, dá-lhes em troca a ilusão de fazê-los sentirem-se parte de algo maior, de um coletivo que ignora o biotipo de cada um, mas que o localiza e situa historicamente.

Acima, detalhe de duas imagens da série ‘Bioshots’ durante o Salão Arte Pará 2009. Belém/PA – Fotos: Alberto Bitar

Ao juntar modelos (ou matrizes) mais comuns, principalmente de fotos cujo estilo se popularizou nos últimos 20 ou 30 anos do Séc.XX, questiona-se o quanto o retrato de alguém é uma construção ficcional, ainda que histórica, norteada por padrões e códigos normativos de grupos sociais, que na maioria das vezes não levam em consideração o biotipo individual do retratado. Pode-se mudar a aparência, mas em suma, não o DNA que origina os traços fisionômicos das pessoas. A herança genética fruto da combinação ‘XX’ + ‘XY’ é imutável, e mesmo que possa ser alterada cirurgicamente ou com uso de tratamentos cosméticos, só altera a aparência externa, sem substituir a essência orgânica familiar. O apagamento parcial dos traços fisionômicos que identificam os personagens originais e a posterior inserção dos meus próprios traços faciais cria um ser híbrido, fantasmagórico, sem nome, sem rosto, sem história. Cabe ao observador definir o perfil e criar a história que quiser para essas cabeças sem rostos. Pode ser uma lembrança, ou um sinal do processo de esquecimento que apaga os traços de um ente querido, alguém distante perdido na invisibilidade da memória. Pode ser o espelhamento do seu próprio eu.

Apagar e inserir meus traços fisionômicos nesses modelos, misturá-los e refotografá-los em longos tempos de exposição, mais do que autorretratos produzidos num exercício de simulação, ficção e ao mesmo tempo de alteridade, produz uma série de obras construídas não apenas com imagem do meu próprio corpo, e sim com os testemunhos visuais de pessoas de várias origens, etnias e idades com as quais me identifico ou não me reconheço. De certa forma esta pesquisa não deixa de mostrar eu mesma, e minhas cópias.

[i] O programa online usado para a construção das matrizes da pesquisa é disponibilizado no site www.yearbookyourself.com

Antarctica Artes com a Folha

Posted in Uncategorized with tags , on junho 13, 2008 by flavyamutran

Ilusão, da sèrie Palimpsestos, exposto no projeto Antarctica Artes com a Folha, 1996, São Paulo © Flavya Mutran

‘Ilusão’, da série Palimpsestos, exposto no projeto Antarctica Artes com a Folha, Pavilhão Manuel da Nóbrega, Ibirapuera, São Paulo/SP/Brasil © Flavya Mutran

Iniciativa pioneira nas artes plásticas brasileiras, o projeto Antarctica Artes com a Folha reuniu profissionais de destaque, com trajetórias bastante diversificadas, para traçar um mapa da mais recente produção artística nacional na segunda metade da década de 90. Durante seis meses, cinco curadores visitaram 1360 ateliês em 26 estados brasileiros, conversando com os artistas e conhecendo seus trabalhos. A seleção final dos 62 artistas sintetiza os mais novos rumos das artes visuais no Brasil na época. Com textos de Celso Fioravante, Lisette Lagnado, Lorenzo Mammi, Nelson Brissac, Stella Teixeira Barros, a edição de luxo reúne imagens do projeto e textos importantes sobre esse mapeamento pioneiro nas Artes Visuais brasileira no período. Os paraenses Flavya Mutran e Alberto Bitar estão entre os artistas participantes.

Capa do Livro ‘Antarctica Artes com a Folha’ da Editora COSAC E NAIFY, 1998. Capa do Livro ‘Antarctica Artes com a Folha’ da Editora COSAC E NAIFY, 1998. O livro traz a produção de 62 artistas brasileiros, a chamada Geração 90, com fotos de trabalhos que estiveram expostos na histórica mostra de 96. A reedição também mostra trabalhos mais recentes.