Arquivo para xumucuís

Arte Digital feito barulho de chuva

Posted in Uncategorized with tags , on agosto 26, 2011 by flavyamutran

Nos últimos dias 05 e 06 de agosto deste ano a comissão de seleção/premiação do I Salão Xumucuís de Arte Digital se reuniu no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém/PA, para escolher os trabalhos que integrariam esta primeira montagem do projeto. Com quase duzentos inscritos de todas as regiões do país, a resposta à convocatória do curador Ramiro Quaresma foi excelente, tanto pela diversidade e qualidade dos trabalhos, quanto pelo interesse por parte de artistas de todas as áreas e em deferentes etapas da produção, seja iniciantes ou consagrados.

Acima,à esquerda, Ramiro Quaresma, Roberta Carvalho, Orlando Maneschy e Flavya Mutran. Abaixo, a obra Refletir, da arista Miriam Duarte, premiada no I salão Xumucuís de Arte Digital.

Os premiados foram: Míriam Duarte (MG/SP) com a vídeo-instalação “Refletir” (2011); Grupo Hyenas (RJ), video instalação “A Borboleta e o Tigre” (2011); Flamínio Jallageas (SP) com o vídeo-instalação “PLATÔS” (2009); Ricardo O’Nascimento (RJ), com o vídeo-arte “AUTRMX” (2008 ); e Victor De La Rocque (PA), “Not Found” (2011).

Acima, o video Platôs, de 2009 de Flamínio Jallageas (SP) – Foto da montagem em belém, de Valério Silveira. Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=s4Bc-Rtl7F4

O I Salão Xumucuís de Arte Digital de Belém foi criado a partir do blog xumucuís.wordpress.com , com curadoria de Ramiro Quaresma e coordenação geral de Deyse Marinho. Fica em exibição até 18 de setembro, na sala Valdir Sarubbi, Casa das Onze Janelas, Belém/PA.

Acima, algumas imagens da montagem do salão, na sala Valdir Sarubbi, Casa das Onze Janelas, Belém/PA. Fotos: Valerio Silveira

ABAIXO, MEU COMENTÁRIO SOBRE O SALÃO:

‘Os trabalhos selecionados neste I Salão de Arte Digital são como os elementos ruidosos do interior dos Paus-de-chuva que representam esta estranha palavra indígena,Xumucuís. Sussurram imagens e materializam idéias através de (novos?) dispositivos eletro-eletrônicos, mas no fundo carregam a energia de (velhos?) temas universais: a busca pelo outro, o olhar para si mesmo, as lutas de poder, a ironia da dor, do esquecimento, do amor e do riso.

Se a arte virtual é o lugar de convergência de quase todos os meios – fotografia, vídeo, gravura, desenho, instalação, performance, etc. -, também é território em que se desdobram os papéis sociais, se borra o individual, se funde o coletivo. As obras aqui expostas remetem à nossa dependência e interrelação com máquinas – como se fossem pessoas -, e com pessoas – como se fossem  brinquedos. Trabalham com a desconfiança e a crença em buscadores online, programas de edição, plataformas em rede, mas caçoam da impaciência com o tempo de downloads. São convites a passeios sem pressa pelos labirintos da web.

Os artistas reunidos aqui propõem romper a barreira da obra intocável, instigando o toque, a reedição, o movimento e, por que não, a parada. Sugerem gritar bem alto para exorcizar fobias ou arriscar coreografar um balé solitário perdido entre pisos e jardins artificiais. Inventam paisagens sem medo da ficção, mostram o real como se fossem utopias. Apostam que as imagens em nuvens e os fios de monitores de plasma não são amarras, e sim linhas de pipas, papagaios de sonho que flutuam no lilás e castanho céu que  antecede as chuvas de Belém. Esse salão traz o fértil e o forte barulho da criação.’

Flavya Mutran (agosto/2011)